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Um jurado pouco ajuizado

Quero contribuir para uma opinião pública bem informada. Combater os argumentos dogmáticos do tipo: "Eles são todos iguais!". E também mostrar que qualquer pessoa pode ter algum conhecimento, apenas pesquisando

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Um jurado pouco ajuizado

12
Set19

Transparência indesejada

Ricardo André Coutinho

 Nos últimos dias, foi noticiado que 14 bancos a operar em Portugal foram condenados pela AdC (Autoridade da Concorrência) ao pagamento de coimas, no total de 225 milhões de euros. 

 Este longo processo judicial, que teve início em 2012, é relativo a uma atividade decorrida, num período ininterrupto entre 2002 e 2013, em que estes bancos partilharam dados sobre produtos de crédito para compra de habitação, crédito ao consumo e crédito a empresas.

 Quando um grupo de empresas, do mesmo ramo, cooperam entre si, estabelecendo um preço acontece o que é denominado, em economia, por cartelização (uma formação de um cartel) como é o exemplo da OPEP (organização dos países exportadores de petróleo). A finalidade do cartel é controlar o mercado, em vez das empresas competirem entre si. Isto não permite ao consumidor optar pelo crédito que lhe é mais rentável.

 De notar, que nos anos que antecederam à crise de 2008, os spreads (taxa aplicada pelos bancos em contratos de crédito, também interpretada como a taxa de lucro) desceram para níveis extremamente baixos, de 0,25%, enquanto havia extrema confiança no crédito. A partir de 2007, o mercado imobiliário estava a entrar em colapso. Os preços das casas aumentaram e consequentemente os spreads também (atingindo os 5%), já que este é calculado mediante o risco do cumprimento do empréstimo.

 Portanto, como foi o cartel que ficou com a decisão em vez de ser consumidor a poder optar pelo spread mais baixo, este cartel tanto podia decidir atenuar a queda do spread para 0,25%, que é uma baixa percentagem de lucro (de milhões, este julho foram quase 700 milhões de euros), como podia subir o spread como quisesse, mesmo de forma desregulada, pondo em causa toda a banca portuguesa, financiamento de particulares e empregos ...

(baseado nas notícias:
Jornal Público edição de dia 10/9/19, Luís Villalobos e Rosa Brito
RTP dia 10/9/19
Jornal Público edição de dia 11/9/19, Luís Villalobos)

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