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Um jurado pouco ajuizado

Quero contribuir para uma opinião pública bem informada. Combater os argumentos dogmáticos do tipo: "Eles são todos iguais!". E também mostrar que qualquer pessoa pode ter algum conhecimento, apenas pesquisando

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Um jurado pouco ajuizado

11
Dez19

Um sonho de performance

Ricardo André Coutinho

 Desde algum tempo, quando ainda estava no curso de teatro, que desejo fazer uma performance numa casa de banho. Tudo natural, fazendo as minhas necessidades: defecando, mictando, cantando uma melodia, desafinando a meu belo prazer …
Lavo as mãos no fim, obviamente ...

 Porquê? Para minimizar os germes. Não vou passá-los a outros, olha agora!!
Por que razão queres fazer uma performance numa casa de banho?

 Num evento solidário, após vencer o festival da canção de 2017, Salvador Sobral referiu-se ao momento de euforia sentido pelos portugueses vivido em redor dele e da sua vitória; afirmando que sentia que podia “fazer qualquer coisa que vocês (público) aplaudem”. Num tom sarcástico que lhe é caraterístico sugeriu “mandar um peido para ver o que acontecia”.

 No filme “Grand Piano”, Elijah Wood, como protagonista, é um pianista que apesar de outrora ser uma grande promessa (“the next big thing”) tem medo do palco após ter sucumbido aos nervos numa atuação.
 O drama começa quando ele é ameaçado de morte; para sobreviver tem que fazer a performance da vida dele. É desafiado a tocar a música que o fez quebrar anos antes. (Spoil alert) Ele erra, não toca como estava na pauta mas o público aplaude. Porquê? Porque não sabe como deveria ter sido!! E ele tinha receio do erro … Para quê?

 Vemos em muitos casos (desde a música ao desporto) que o processo é relevante apenas para os artistas e das pessoas entendidas no meio. Para o grande público, o processo não interessa pois não sabem “como se faz”, apenas sabem “o que se faz”.
 Há músicos que produzem música sem pensarem numa intenção dando liberdade de reflexão ao seu público, eles próprios se encarregarão de interpretar e dar-lhe significado para que tenha sentido.
 Na dança, qualquer pessoa que sorria e que se mexa mesmo sem importar com técnica, dará a ideia que dança bem; já um dançarino preocupar-se-á com coisas como o “acabamento”.
 O futebol é uma exceção porque não é só o grande público que glorifica quem faz golos mas se o futebol fosse apenas marcar golos, então não havia 90 minutos mas era só penalties.
 No teatro, qualquer ator que tenha presença, que tenha um papel relevante que surja seguro nas alturas de destaque; é um bom ator.

 Quando é a aparência que dita se uma performance é boa ou má; escolheria um local onde todos (mesmo os génios) são humanos, escolheria um local que tem tanto de ordinário como genial por ser tão impensável de fazer uma performance.
 Para culminar, qualquer homem despreocupado a ser visto em situações “aparentemente desconfortáveis” se sentiria no seu habitat. Sentiria-se um extraordinário, até os outros o veriam como mito por serem incapazes de replicar.

 Num mundo extravagante, surge a necessidade de celebrar a genialidade com simplicidade.

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