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Um jurado pouco ajuizado

Quero contribuir para uma opinião pública bem informada. Combater os argumentos dogmáticos do tipo: "Eles são todos iguais!". E também mostrar que qualquer pessoa pode ter algum conhecimento, apenas pesquisando

Quero contribuir para uma opinião pública bem informada. Combater os argumentos dogmáticos do tipo: "Eles são todos iguais!". E também mostrar que qualquer pessoa pode ter algum conhecimento, apenas pesquisando

Um jurado pouco ajuizado

14
Fev20

Aqui, é só tugas!

Ricardo André Coutinho

 Hoje (14/2) tive um debate interessante. Apesar de ter sido num tom maioritariamente monótono - e bem contribui para que não fosse - teve um efeito suficientemente irritadiço para me dar o combustível para escrever, tal desejo já algum tempo que estava encoberto. Malandrinho ...

 Primeiros pontos a ter em conta antes de avançar: esta posição que vou tomar é fortemente influenciada pela minha forma de viver a vida, logo, naturalmente que a maioria não se irá rever neste artigo. Portanto, como sempre apenas quero que pensem no assunto.

 

 O tema, já muito batido, é a emigração (ilegal), refugiados.

 Para começar, é extremamente curioso ouvir tais críticas e receios quando esse povo sempre emigrou. Lembram-se que começamos por explorar o mundo? Sabem que temos portugueses espalhados pelo mundo? Sabem das histórias da gente que fugiu à ditadura, à fome e pobreza. Será hipocrisia? Falta de empatia?

 Já ouvi várias vezes a pergunta: “Acolherias desconhecidos em tua casa?”

1º)Eu nem sou patriota nem nacionalista, ou seja, ainda menos relevância tem para mim. Mesmo assim nem deveria ser questão porque eu vivo num país, mas apenas durmo numa casa. Um país é uma terra, não chega a ser literalmente um abrigo.

2º)Considerando que faz sentido a pergunta, responderia que “Sim!”. 

 Já fiz recurso ao couchsurfing para poder viajar mais barato; quando não foi possível, dormi em hostels com malta que nunca tinha visto antes e nas horas seguintes nunca mais voltaria a ver … numa dessas vezes, roubaram-me comida - justifica o receio de estrangeiros desconhecidos? Da mesma forma, que desconhecidos que são compatriotas. São peripécias da vida. Também me podiam ter roubado as malas, numa madrugada, enquanto estava numa estação de comboios; e isso também pode acontecer todos os dias, em qualquer sítio, em Portugal.

 

 Durante a 2ªGuerra Mundial, vários polacos (e não só) arriscaram os seus pescoços ao albergarem judeus, escondendo-os das mãos dos nazis ... como é uma realidade distante é preciso realçar o seguinte: os refugiados fogem da guerra!!

Já houve mais humanidade.

25
Dez19

Hipócritas natalícios

Ricardo André Coutinho

 Se “no Natal ninguém leva a mal” aqui vou eu difamá-lo já que estou ilibado.

 Luzes, enfeites, publicidades tudo isso e mais alguma coisa pode surgir meeeses antes do Natal!! O Natal é quando o humano quiser, porque iríamos celebrá-lo apenas por dois dias? No entanto, como é norma, deixa-se as compras todas para 20 a 24 de dezembro. Tudo a correr para não perder o último produto e evitar chegar a casa sem presentes. São tão importantes que irão ser trocados a 26; e se não forem despachados, irão servir para entregar a alguém no próximo Natal. De qualquer das maneiras servirá a alguém para pôr no fundo da gaveta.

 Tudo bem vestido porque vamos encontrar a família “unida” que não vimos no ano inteiro, a mesma família que não esteve lá quando estávamos desaprumados.

 A comida …
 Queixam-se de impostos e do parco salário mas a comida tem de abundar nestas ocasiões. 

  • Não toquem em nada! Tenho que publicar uma foto nas redes. Afinal, temos que aparentar estar bem, num é? Agora sim, hora de enfardar! ... Mesmo o bolo rei! - Mas eu não góto - Comes que é tradição - e lá vai uma deglutição de nojo ...

 O tema de conversa ou é “quem é o que tem mais êxito”, que todos os agregados competem, ou, no caso de não haver razões de orgulho, coscuvilhar a vida de terceiros.

 O dia 25 de dezembro é tão sagrado que poucas são as pessoas que o celebram por motivos religiosos. Numa mesa com 10 pessoas, 3 afirmam-se católicos (com sorte lembram-se da última vez que foram a missa). 

 Para além disso, a origem do Natal em si é, no mínimo, duvidosa. Sendo que, não só há estudiosos cristãos que não confirmam a existência de provas de que Jesus Cristo nasceu a 25 de dezembro como teorias que apontam para a inclusão de símbolos, no cristianismo, de outras religiões, como é o caso do paganismo, com o intuito de pacificar as guerras religiosas e afirmar a religião em crescimento - cristianismo. No que diz respeito ao Natal, antes de Cristo celebrava-se o Deus-Sol a 25 de dezembro.

 Oh Oh Oh 

 

https://www.allaboutjesuschrist.org/was-jesus-born-on-december-25-faq.htm

https://www.worldbulletin.net/news-analysis/christmas-before-christ-december-25-and-paganism-h125609.html

11
Dez19

Um sonho de performance

Ricardo André Coutinho

 Desde algum tempo, quando ainda estava no curso de teatro, que desejo fazer uma performance numa casa de banho. Tudo natural, fazendo as minhas necessidades: defecando, mictando, cantando uma melodia, desafinando a meu belo prazer …
Lavo as mãos no fim, obviamente ...

 Porquê? Para minimizar os germes. Não vou passá-los a outros, olha agora!!
Por que razão queres fazer uma performance numa casa de banho?

 Num evento solidário, após vencer o festival da canção de 2017, Salvador Sobral referiu-se ao momento de euforia sentido pelos portugueses vivido em redor dele e da sua vitória; afirmando que sentia que podia “fazer qualquer coisa que vocês (público) aplaudem”. Num tom sarcástico que lhe é caraterístico sugeriu “mandar um peido para ver o que acontecia”.

 No filme “Grand Piano”, Elijah Wood, como protagonista, é um pianista que apesar de outrora ser uma grande promessa (“the next big thing”) tem medo do palco após ter sucumbido aos nervos numa atuação.
 O drama começa quando ele é ameaçado de morte; para sobreviver tem que fazer a performance da vida dele. É desafiado a tocar a música que o fez quebrar anos antes. (Spoil alert) Ele erra, não toca como estava na pauta mas o público aplaude. Porquê? Porque não sabe como deveria ter sido!! E ele tinha receio do erro … Para quê?

 Vemos em muitos casos (desde a música ao desporto) que o processo é relevante apenas para os artistas e das pessoas entendidas no meio. Para o grande público, o processo não interessa pois não sabem “como se faz”, apenas sabem “o que se faz”.
 Há músicos que produzem música sem pensarem numa intenção dando liberdade de reflexão ao seu público, eles próprios se encarregarão de interpretar e dar-lhe significado para que tenha sentido.
 Na dança, qualquer pessoa que sorria e que se mexa mesmo sem importar com técnica, dará a ideia que dança bem; já um dançarino preocupar-se-á com coisas como o “acabamento”.
 O futebol é uma exceção porque não é só o grande público que glorifica quem faz golos mas se o futebol fosse apenas marcar golos, então não havia 90 minutos mas era só penalties.
 No teatro, qualquer ator que tenha presença, que tenha um papel relevante que surja seguro nas alturas de destaque; é um bom ator.

 Quando é a aparência que dita se uma performance é boa ou má; escolheria um local onde todos (mesmo os génios) são humanos, escolheria um local que tem tanto de ordinário como genial por ser tão impensável de fazer uma performance.
 Para culminar, qualquer homem despreocupado a ser visto em situações “aparentemente desconfortáveis” se sentiria no seu habitat. Sentiria-se um extraordinário, até os outros o veriam como mito por serem incapazes de replicar.

 Num mundo extravagante, surge a necessidade de celebrar a genialidade com simplicidade.

23
Set19

Os bodes da desigualdade de género

Ricardo André Coutinho

 A diferenciação dos papéis sociais está ainda bem presente na nossa cultura. Na pré-história o homem ia caçar e a mulher ficava na caverna. E mesmo passados milhares de anos ainda há quem não tenha mudado essa mentalidade pré-histórica. Para cada problema há um culpado?!

 De quem é culpa? um género? uma instituição? uma figura social?

 São os homens - uns machistas que tiram proveito da sua força física para intimidar as mulheres, essa força física que oculta o seu medo de perderem para a capacidade emocional da mulher.

 São as mulheres - umas manipuladoras que tiram proveito da sua fraqueza física para seduzir/iludir o homem, revigorando o seu grau de masculinidade em troca de segurança, uma base de rendimento estável.
 A igreja católica primitiva que retratou tudo o que era feminino como satánico para assegurar não só que a sua existência iria perdurar como também ter mais fiéis.

 São os pais - sabem fazer filhos mas não sabem educá-los. Não aprenderam com o erro dos seus progenitores e impõem aos seus filhos o mesmo modelo que lhes tinha sido educado.
Podia continuar mas já chega, não?

 Eu não concordo com nenhuma das generalizações que fiz. Acredito que há exemplos do contrário como também acredito que há pessoas que contribuem para estes rótulos.
 No meio disto tudo, há pessoas a quem isto tudo lhes parece alheio porque não tem capacidade crítica. Não pensam numa outra realidade, conformam-se com aquilo que têm.
 Ou seja, odiarmo-nos é injusto já que nem todos tem a capacidade de mudar.

 O ódio é um desconforto que antecede a mudança, o que é um bom sinal mas não é a solução. Acredito que houve gente que leu, chegou ao meio e fartou-se … O ódio destrói. Para solucionarmos isto, é preciso construir, e só é possível construir quando houver tolerância invés de segregação. Incluir homens e mulheres nas discussões de género é essencial. Como chegaremos a sociedades paritárias senão há o costume de discutir o assunto entre os dois géneros?
 Se leu até ao fim, se não se deixou vencer por todo este ódio é porque tem a tolerância necessária para ouvir cada extremo. É sinal que está preparado para uma sociedade que não discrimina ao género. Os meus parabéns.
 Eu não me considero feminista mas não sou anti-feminismo. Tal como os feministas eu também quero uma mudança.

12
Set19

Transparência indesejada

Ricardo André Coutinho

 Nos últimos dias, foi noticiado que 14 bancos a operar em Portugal foram condenados pela AdC (Autoridade da Concorrência) ao pagamento de coimas, no total de 225 milhões de euros. 

 Este longo processo judicial, que teve início em 2012, é relativo a uma atividade decorrida, num período ininterrupto entre 2002 e 2013, em que estes bancos partilharam dados sobre produtos de crédito para compra de habitação, crédito ao consumo e crédito a empresas.

 Quando um grupo de empresas, do mesmo ramo, cooperam entre si, estabelecendo um preço acontece o que é denominado, em economia, por cartelização (uma formação de um cartel) como é o exemplo da OPEP (organização dos países exportadores de petróleo). A finalidade do cartel é controlar o mercado, em vez das empresas competirem entre si. Isto não permite ao consumidor optar pelo crédito que lhe é mais rentável.

 De notar, que nos anos que antecederam à crise de 2008, os spreads (taxa aplicada pelos bancos em contratos de crédito, também interpretada como a taxa de lucro) desceram para níveis extremamente baixos, de 0,25%, enquanto havia extrema confiança no crédito. A partir de 2007, o mercado imobiliário estava a entrar em colapso. Os preços das casas aumentaram e consequentemente os spreads também (atingindo os 5%), já que este é calculado mediante o risco do cumprimento do empréstimo.

 Portanto, como foi o cartel que ficou com a decisão em vez de ser consumidor a poder optar pelo spread mais baixo, este cartel tanto podia decidir atenuar a queda do spread para 0,25%, que é uma baixa percentagem de lucro (de milhões, este julho foram quase 700 milhões de euros), como podia subir o spread como quisesse, mesmo de forma desregulada, pondo em causa toda a banca portuguesa, financiamento de particulares e empregos ...

(baseado nas notícias:
Jornal Público edição de dia 10/9/19, Luís Villalobos e Rosa Brito
RTP dia 10/9/19
Jornal Público edição de dia 11/9/19, Luís Villalobos)

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