Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um jurado pouco ajuizado

Quero contribuir para uma opinião pública bem informada. Combater os argumentos dogmáticos do tipo: "Eles são todos iguais!". E também mostrar que qualquer pessoa pode ter algum conhecimento, apenas pesquisando

Quero contribuir para uma opinião pública bem informada. Combater os argumentos dogmáticos do tipo: "Eles são todos iguais!". E também mostrar que qualquer pessoa pode ter algum conhecimento, apenas pesquisando

Um jurado pouco ajuizado

23
Set19

Os bodes da desigualdade de género

Ricardo André Coutinho

 A diferenciação dos papéis sociais está ainda bem presente na nossa cultura. Na pré-história o homem ia caçar e a mulher ficava na caverna. E mesmo passados milhares de anos ainda há quem não tenha mudado essa mentalidade pré-histórica. Para cada problema há um culpado?!

 De quem é culpa? um género? uma instituição? uma figura social?

 São os homens - uns machistas que tiram proveito da sua força física para intimidar as mulheres, essa força física que oculta o seu medo de perderem para a capacidade emocional da mulher.

 São as mulheres - umas manipuladoras que tiram proveito da sua fraqueza física para seduzir/iludir o homem, revigorando o seu grau de masculinidade em troca de segurança, uma base de rendimento estável.
 A igreja católica primitiva que retratou tudo o que era feminino como satánico para assegurar não só que a sua existência iria perdurar como também ter mais fiéis.

 São os pais - sabem fazer filhos mas não sabem educá-los. Não aprenderam com o erro dos seus progenitores e impõem aos seus filhos o mesmo modelo que lhes tinha sido educado.
Podia continuar mas já chega, não?

 Eu não concordo com nenhuma das generalizações que fiz. Acredito que há exemplos do contrário como também acredito que há pessoas que contribuem para estes rótulos.
 No meio disto tudo, há pessoas a quem isto tudo lhes parece alheio porque não tem capacidade crítica. Não pensam numa outra realidade, conformam-se com aquilo que têm.
 Ou seja, odiarmo-nos é injusto já que nem todos tem a capacidade de mudar.

 O ódio é um desconforto que antecede a mudança, o que é um bom sinal mas não é a solução. Acredito que houve gente que leu, chegou ao meio e fartou-se … O ódio destrói. Para solucionarmos isto, é preciso construir, e só é possível construir quando houver tolerância invés de segregação. Incluir homens e mulheres nas discussões de género é essencial. Como chegaremos a sociedades paritárias senão há o costume de discutir o assunto entre os dois géneros?
 Se leu até ao fim, se não se deixou vencer por todo este ódio é porque tem a tolerância necessária para ouvir cada extremo. É sinal que está preparado para uma sociedade que não discrimina ao género. Os meus parabéns.
 Eu não me considero feminista mas não sou anti-feminismo. Tal como os feministas eu também quero uma mudança.

12
Set19

Transparência indesejada

Ricardo André Coutinho

 Nos últimos dias, foi noticiado que 14 bancos a operar em Portugal foram condenados pela AdC (Autoridade da Concorrência) ao pagamento de coimas, no total de 225 milhões de euros. 

 Este longo processo judicial, que teve início em 2012, é relativo a uma atividade decorrida, num período ininterrupto entre 2002 e 2013, em que estes bancos partilharam dados sobre produtos de crédito para compra de habitação, crédito ao consumo e crédito a empresas.

 Quando um grupo de empresas, do mesmo ramo, cooperam entre si, estabelecendo um preço acontece o que é denominado, em economia, por cartelização (uma formação de um cartel) como é o exemplo da OPEP (organização dos países exportadores de petróleo). A finalidade do cartel é controlar o mercado, em vez das empresas competirem entre si. Isto não permite ao consumidor optar pelo crédito que lhe é mais rentável.

 De notar, que nos anos que antecederam à crise de 2008, os spreads (taxa aplicada pelos bancos em contratos de crédito, também interpretada como a taxa de lucro) desceram para níveis extremamente baixos, de 0,25%, enquanto havia extrema confiança no crédito. A partir de 2007, o mercado imobiliário estava a entrar em colapso. Os preços das casas aumentaram e consequentemente os spreads também (atingindo os 5%), já que este é calculado mediante o risco do cumprimento do empréstimo.

 Portanto, como foi o cartel que ficou com a decisão em vez de ser consumidor a poder optar pelo spread mais baixo, este cartel tanto podia decidir atenuar a queda do spread para 0,25%, que é uma baixa percentagem de lucro (de milhões, este julho foram quase 700 milhões de euros), como podia subir o spread como quisesse, mesmo de forma desregulada, pondo em causa toda a banca portuguesa, financiamento de particulares e empregos ...

(baseado nas notícias:
Jornal Público edição de dia 10/9/19, Luís Villalobos e Rosa Brito
RTP dia 10/9/19
Jornal Público edição de dia 11/9/19, Luís Villalobos)

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D